Especial para o Jornal de Brasília
Sua relação com a música e sua paixão pelos mais diversos instrumentos musicais vêm da infância numa cidade alemã de médio porte. Konrad Küechenmeister nasceu em Dresden e começou a tocar instrumentos aos quatro anos de idade. Seu pai era músico e tinha um quarto cheio de instrumentos que servia de parque de diversões para o garoto. No início, tocava piano e percussão e explorava com esses instrumentos as mais diversas possibilidades de se fazer música.
Com a turnê BerlinLoopBrasil – projeto apoiado pela Embaixada da Alemanha para que participasse do festival Kulturfest – Estação Alemã 2007-08 – o multiistrumentista alemão faz suas últimas apresentações na cidade amanhã, às 21h, no Balaio Café, e domingo, a partir das 17h, no Centro Cultural do Banco do Brasil. De Brasília ele segue para o Rio de Janeiro, onde faz show no dia 22, e Florianópolis, no dia 24, onde encerra a turnê brasileira e retorna à sua terra natal.
Hoje, aos 26 anos, Konrad, vive apenas de música e tem se apresentado em vários países pelo mundo. O músico e o seu vizinho agradecem. Há dois anos, quando comprou sua Loopstation, ele foi para as ruas mostrar seu trabalho em sessões abertas. “Meu vizinho não suportava o barulho. Diferente de mim, ele estudou para ter seu diploma”, brinca. Quando tocava, as pessoas retribuíam suas performances. Segundo o músico, a rua foi o primeiro lugar em que ganhou dinheiro por fazer música.
Em seu site no MySpace, ele explica que seu Konrad-Kuechenmeister-Free-Loop-Live-Entertainment-Programme (!) existe desde junho de 2006, como um show de rua, onde toca diferentes instrumentos tais como violão, baixo, escaleta, harpa de boca, beatbox, chocalho, didjeridu (sopro), djembê (tambor), garrafa, materiais de cozinha e voz, um após outro, numa Loopstation. Nesse processo, tudo soa como se uma banda inteira estivesse tocando ao vivo.
”Tenho canções com muito espaço para a improvisação. Então me utilizo do improviso e das canções contínuas. Às vezes começo improvisar uma canção inteira com garrafas e tudo o que eu encontro perto do palco que faça um bom som”, esclarece a respeito de suas técnicas na Loopstation. O músico afirma que tenta se mover entre diferentes estilos de música, desde o ska, reggae, dancehall, drum’n'bass, jazz, clássico, dub, hip hop, pop, ao samba, entre outros. “É tudo feito ao vivo. Considero os sons incomuns, gerados sem nenhum ajuste prévio, um grande ponto. Tento ser criativo, diferente e original no meu set. Meu som é do tipo de música que gosto e que sinto”.
Influências brasileiras
Segundo Konrad, uma das lições que tem aprendido nesses dois meses por terras brasileiras é a de que “a música é uma linguagem internacional”. Ele comenta que vai levar o samba do Brasil para a Alemanha em sua Loopstation. “I love Samba”, diz como um bom gringo que é. “Levarei de Brasília três novas canções e a boa vibração dos concertos feitos aqui”. E ainda arrisca algumas palavras ditas num “português estrangeiro”: “Eu sou um brasileiro de coração”, diz a única sentença que sabe até agora.
Em Brasília, o multiinstrumentista tocou em diferentes lugares, como O’Rilley Irish Pub, Caixa Cultural, Torre de TV e Blackout Bar. Konrad diz que sente que as pessoas gostam realmente de sua música e que não esperava tamanho reconhecimento. “Algumas pessoas assistiram a cada show que fiz em Brasília até agora. Isso é muito agradável”. Entre os lugares que mais gostou de ter tocado, ele destaca o teto de um ônibus antigo, no Eixo Monumental, no dia 27 de julho. “Aquilo sempre foi um sonho meu. Sempre sorrio quando relembro aquele momento”, finaliza.
Shows com Konrad Küechenmeister. Amanhã, às 21h, no Balaio Café (201 Norte, 3327-0732). Couvert a R$ 7. Classificação livre. Domingo, a partir das 17h, no projeto Todos os sons, no gramado do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul, 3310-7087). Entrada franca. Classificação livre.






